segunda-feira, 27 de abril de 2026

 

SOBRE O DIREITO A MEMÓRIA E A HISTÓRIA

Por Emídio Neto



É comum ouvirmos dos “mais velhos” frases do tipo, antigamente nessa rua funcionava tal coisa ou a gente tinha tal coisa e assim por diante. O fato é que ao longo dos anos, os registros materiais da existência de espaços e lugares que marcaram a história e a cultura de Ipiaú, estão desaparecendo. Deliberadamente estão sendo apagados. Mas não apenas os registros físicos e materiais. Também, do invisível aos olhos e apenas visíveis ao imaginário. Quem perde com isso ?

Quando se fala de Patrimônio Cultural, nos é dada a oportunidade de reconhecimento desse legado em esferas distintas, sendo estes o Patrimônio Material e o Imaterial. No entanto, quais são as diferenças entre eles? E qual a importância de cada um deles ?

Apresento aqui, explicações oficiais extraídas da página do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, órgão do governo federal do Brasil criado para proteger, preservar e promover o patrimônio cultural brasileiro, onde afirma-se que:

O patrimônio cultural é composto por monumentos, conjuntos de construções e sítios arqueológicos, de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas. Esta composição está definida na Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural, elaborada na Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris (França), em 1972, e ratificada pelo Decreto No. 80.978, de 12 de dezembro de 1977.

Patrimônio Imaterial é um conceito adotado em muitos países e fóruns internacionais como complementar ao conceito de patrimônio material na formulação e condução de políticas de proteção e salvaguarda dos patrimônios culturais, sob a perspectiva antropológica e relativista de cultura. Usa-se, também, patrimônio intangível como termo sinônimo para designar as referências simbólicas dos processos e dinâmicas socioculturais de invenção, transmissão e prática contínua de tradições fundamentais para as identidades de grupos, segmentos sociais, comunidades, povos e nações.

Em Ipiaú, existem instrumentos legais de proteção e preservação do Patrimônio Cultural, porém, as autoridades competentes, digo Prefeitura e Câmara Municipal, parecem recusarem-se a fazer cumprir o disposto na Lei. Pior, é que além da inobservância legal, ainda podem contribuir para o crime de alteração, desfiguração e demolição de patrimônio histórico e cultural. E o nosso jovem Conselho Municipal de Cultura, ainda sente-se tímido para exigir que a lei seja aplicada. O que evidencia que a população carece de educação patrimonial.

Assim, para munir a todos e todas de informações que legitimam o direito a memória e a história, apresentarei abaixo alguns artigos da Lei Orgânica do Município de Ipiaú - LOM, com o objetivo de sensibilizar para a defesa e proteção do nosso Patrimônio Cultural.

Dessa maneira, destaco que a LOM de Ipiaú, dispõe que:

Art. 4. Os direitos e garantias expressos nesta Lei Orgânica não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios adotados pela Constituição Federal do Brasil, pela Constituição do Estado da Bahia e pela legislação vigente.

Art. 15. Compete privativamente ao Município, no exercício da sua autonomia, dentre outras atribuições instituídas pela Constituição Federal e Constituição do Estado da Bahia e legislação vigente, o seguinte:

XII - promover a proteção do patrimônio histórico - cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual;

XXXVI - organizar e manter os serviços de fiscalização necessários ao exercício de seu poder de polícia administrativa;

Art. 16. É da competência do Município em comum com a da União, e a do Estado, na forma prevista em lei complementar federal:

III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;

IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;

Art. 173. O Município estimulará o desenvolvimento das ciências, das artes, das letras e da cultura em geral, observado o disposto na Constituição Federal.

§ 4º Ao Município cumpre proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos.

Art. 188. O Plano Diretor manterá, entre outras diretrizes, as seguintes:

III - preservação do meio ambiente natural, cultural e histórico;

Art. 191. § 2º Incumbe ainda ao Poder Público:

VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

Art. 227. Fica mantido o tombamento como patrimônio histórico cultural do município, do prédio da Câmara Municipal de Ipiaú, do prédio onde funcionou o “Cine Teatro Éden” e da área ambiental “Areião do Arara”.

Foto da Fachada Atual do Antigo Cine Éden (Fonte: Internet  Miqueias Bento)

Oportuno ainda, dar luz à Lei Complementar No 1.815 de 06 de Abril de 2005, a qual se tivesse sendo aplicada e fiscalizada, evitaria algumas perdas e danos ao patrimônio histórico e cultural de Ipiaú, visto que dispõe:

Art. 3o - Para os fins do disposto no art. 30, da Constituição Federal, considera-se, em matéria ambiental, como de interesse local, dentre outros:

II - o tombamento e a proteção do patrimônio artístico, histórico, estético, cultural, arqueológico, paisagístico e ecológico existente;

Art. 5o - São deveres do Poder Executivo Municipal:

XI - promover medidas judiciais para responsabilizar os causadores de poluição ou de degradação ambiental.

Art. 11. são instrumentos, dentre outros, da Política Municipal do Meio Ambiente:

IV - o tombamento de bens de valor histórico, arqueológico, etnológico e cultural;

A Lei Complementar No 1.815/2005, invisibilizada e explicitamente violada, dispõe em seu Art. 17, que “O tombamento de bens, independentemente do tombamento federal ou estadual, poderá ser feito por lei municipal e terá os mesmos efeitos do tombamento pela legislação federal específica, aplicando-se os prazos, procedimentos e demais disposições desta Lei, no que couber.” E que “Os processos relativos ao tombamento serão devidamente instruídos e encaminhados ao Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, para aprovação e delimitação das áreas de entorno para fins de preservação visual dos bens tombados.”

Em seu Art. 18, fica explícita a omissão, negligência ou conivência do Poder Público, já que “Não se poderão construir, nas vizinhanças dos bens tombados, estruturas que lhes impeçam a visibilidade ou os descaracterizem, nem neles serem colocados anúncios, cartazes ou dizeres, sob pena de recomposição do dano cometido, pelo infrator, a menos que autorizado pelo Poder Executivo.”

A Lei Complementar, em sua Seção IV, trata Das Sanções Aplicáveis às Infrações contra o Patrimônio Cultural, as quais recomendo que todos os interessados no tema, em especial os membros do Conselho de Meio Ambiente e do Conselho Municipal de Cultura, leiam.

Não há como negar a existência dos instrumentos legais, bem como o seu “modus operandi” por meio da gestão operacionalizada pelas Secretarias com suas equipes técnicas, sejam concursadas ou contratadas. A população paga taxas, impostos e tributos municipais que são revertidos em pagamentos, remuneração e bonificações para tais secretários e respectivas equipes. O que então justifica o não cumprimento do dever legal de fazer aquilo previsto em lei ? Ou seja, proteger e preservar o patrimônio cultural ?!

Por que assistimos, no máximo com uma indignação contida ou uma explosiva “reclamação pelos cotovelos”, o Prédio da Câmara Municipal de Ipiaú ser completamente descaracterizado ? O Prédio do antigo Cine Teatro Éden ser completamente transformado ? O Areião do Arara ser completamente devastado ? O Museu do Lavrador ser destruído ? A história e a memória de Ipiaú não ter lugar nem vez, até aqui, senão nas iniciativas de artistas, empresas e associações ? Onde está concretamente a ação do governo municipal em prol da proteção, preservação, valorização e promoção da memória e história de Ipiaú ?

Estará nas novas calçadas de tijolos de cimento das praças ? No asfalto que sufoca a história dos profissionais que tinham orgulho de fazer o melhor calcetamento dessa ou daquela rua ? Ou estará na desfiguração das praças públicas ? Para alguns, certamente, poderá estar naquele palco para uso exclusivo de uma festa anual com shows que descaracterizam os festejos juninos e que igualmente sepulta a tradição junina de Ipiaú.

Os Conselhos Municipais são espaços de diálogos e de construção. Mas nenhum diálogo e construção acontece sem que as reivindicações e denúncias cheguem e sejam tratadas com a atenção que merecem. Pois nem sempre, infelizmente na maioria das vezes, as prioridades dos que governam são as mesmas identificadas pela sociedade civil organizada.

Sem a participação ativa da sociedade, sem um trabalho constante de educação patrimonial e sem a capacidade reivindicatória das entidades culturais do município, tudo está sujeito a cair no esquecimento. Seja por descaso ou por apagamento intencional. Inclusive até a história das próprias entidades.

É impossível pensarmos no futuro sem lembrarmos do passado e atuarmos no presente. Caso contrário, lançaremos o passado no abismo do esquecimento e assassinaremos as possibilidades de um futuro realmente comprometido com a história e a memória do nosso município. Mas não um futuro que se constrói caminhando sob o ritmo de quem governa. Um futuro que se constrói a partir de ações concretas no já e no agora. Pois o tempo dos que governam tem sido cruel com nossa história e nossa memória. 

Quando foi a última vez que você visitou a Fazenda do Povo ? A Livraria Brasil ? O Canoão ? O Museu do Lavrador ? O Arquivo Público Municipal ? A Biblioteca Municipal ? Ou o Areião do Arara ? Quando você viu pela última vez uma Baiana do Acarajé em Ipiaú ? Já sabe a data do próximo Festival de Música de Ipiaú ? E do Festival de Teatro ? Da Micareta ? Você viu a Programação da Semana de Arte e Cultura de Ipiaú ?

O poeta e antropólogo Jaime Alves, nos alerta que:

O direito à memória é o direito de harmonizar o passado com o presente e o futuro. Ipiaú despossuída de tudo aprendeu apenas a olhar para o passado “glorioso do saudoso rio novo” e para a referência sempre nostálgica do seu título de “município modelo da Bahia”. Era uma espécie de lembrança que nos ajudava a lidar com o fracasso (na perda constante de população expulsa para o sudeste, na perda de importância econômica para Jequié, na perda de investimentos federais como o Instituto Federal de Educação, na perda de um hospital regional de média complexidade….), mas até a nostalgia nos foi roubada e o passado parece cada vez mais “uma roupa que não nos serve mais.”

O tempo está passando e assim como os ponteiros dos segundos, a velocidade da destruição pela omissão e negligência é maior do que a da ação dos que governam comprometidos com o bem comum.


*Emídio Neto é poeta, ambientalista, fundador do Grupo Ecológico Humanista PAPAMEL, Técnico em Agropecuária, Historiador, fundador do Blog Historia Ambiental de Ipiaú, autor e coordenador da pesquisa Espaços Culturais de Ipiaú: Ontem e Hoje, pós-graduando em Educação Ambiental.

quinta-feira, 19 de março de 2026

 

A ESTACA E O CISCO DE TODO DIA

*Emídio Neto.


No dia 11 de março, (quarta-feira), do ano em curso. A notícia de vazamento de óleo da Estação de Bombeio da Transpetro em Itagibá, situada na margem direita do Rio das Contas, no trecho entre a UNEB e a sede do município de Ipiaú. Deixou a comunidade assustada e muito preocupada.

A Estação de Bombeio de Itagibá, é uma das muitas existentes ao longo do Oleoduto Recôncavo-Sul da Bahia (ORSUB). Que é um poliduto fundamental para o abastecimento de combustíveis na Bahia, transportando derivados de petróleo do Terminal de Madre de Deus (TEMADRE) para o interior do estado, comm extensão total de 389 quilômetros.

Foto Arquivo: Jailton Farias

Através do poliduto Orsub, são transportados: Diesel, gasolina e GLP (Gás Liquefeito de Petróleo). Em intervalos programados e devidamente monitorados. Para atender principalmente aos terminais terrestres de Itabuna (TEITAB), que recebe e armazena combustíveis via poliduto (ORSUB) e álcool via rodoviária, distribuindo para o sul da Bahia. E o Terminal de Jequié (TEJEQ), onde armazena combustíveis, com vista para o trevo do poliduto na BR-116.

O ORSUB faz parte da rede integrada da Transpetro, conectando a produção (refinarias/temadre) aos pontos de consumo, aumentando a eficiência logística, garantindo o fornecimento estável de derivados para a região e devem ser frequentemente inspecionadas e operadas pela Transpetro.

Foto Arquivo: Valeta que passa por dentro da Estação de Bombeio. (Jailton Farias)

Situada abaixo da Estação de Bombeio de Itagibá, os moradores da Fazenda Estação Ecológica Rio das Contas, sofreram o impacto direto do vazamento, com pessoas sentindo náuseas, sensação de vômito e desconforto em respirar o ar com forte odor de borracha queimada. O que levou a procura de sinais de fumaça nas redondezas e visitas aos principais pontos de queima de lixo, lamentavelmente existentes na cidade e trechos da rodovia Ipiaú - Barra do Rocha.

Foto Arquivo: Manchas de óleo e peixes e crustáceos mortos. (Jailton Farias) 

Após tomar conhecimento do ocorrido através de publicação no GiroIpiaú, membros do PAPAMEL visitaram o local e constataram algumas não conformidades. O que motivou o envio de Ofícios para a Promotoria de Justiça de Ipiaú, através do qual solicita que "exija da empresa responsável, além dos esclarecimentos necessários e adoção das medidas sanadoras do derramamento/vazamento de óleo diretamente no ambiente, medidas compensatórias e reparadoras dos danos causados, os quais não se sabe a dimensão, sobretudo pelo fato de que o Rio das Contas encontrava-se ainda sob efeitos das chuvas, por tanto, com grande volume de água."

Foto Arquivo: Espécie de caixa de gordura de onde exala forte odor. (Jailton Farias)

O Ofício assinado pelo Instituto SOS Rio das Contas e o PAPAMEL, solicita ainda a responsabilização da empresa e a adoção do princípio da precaução e prevenção na operação da Estação de Bombeio de Itagibá.

"Para além da responsabilização pelo vazamento, conforme disposto nos Artigos, 29, 33, 40, 48, 50 e 54 da Lei 9.605/98 ( Lei dos Crimes Ambientais. Necessário ainda, saber a origem e causa do vazamento, se falha técnica, mecânica ou humana. Assim como, quais as medidas preventivas, que assegurem evitar novos e futuros vazamentos, em consonância com os seguintes princípios: Princípio 1, Princípio 10 e Princípio 15, da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento."

Essa situação, no entanto, suscita a necessidade da sociedade como um todo, atuar como fiscal do meio ambiente, como determina o Art. 225 da Constituição Federal ao enfatizar que "É DEVER de todos Defender o Meio Ambiente". Assim, é urgente que a sociedade cumpra seu dever de cobrar e exigir da Prefeitura, que cumpra sua função de fiscalizar, autuar e impedir o lançamento diário de resíduos de derivados de petróleo e outros produtos químicos, por parte de oficinas, lava-jatos, postos de combustíveis etc. Inclusive através de permanente programa de educação ambiental e criação de áreas destinadas as oficinas mecânicas, o que reduz custos com tratamento de resíduos e efluentes.

A falta de atuação da Secretaria de Meio Ambiente, tem permitido além do funcionamento sem qualquer responsabilidade ambiental, por parte de muitos desses estabelecimentos, a abertura de novos, igualmente sem qualquer controle. O que caracteriza omissão e negligência, considerado crime ambiental pela Lei 9605/98. A lei de crimes ambientais, que determina em seus artigos 68 e 70: "Art. 68. Deixar, aquele que tiver o dever legal ou contratual de fazê-lo, de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental" e "Art. 70. Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente."

Inevitável não lembrar que cada cidadão e cidadã também deve fiscalizar seus atos, atitudes e comportamentos diários em relação ao meio em que vive. Evitando lançar resíduos de óleo na natureza, inclusive de óleo comestível, medicamentos e suas embalagens, pilhas de modo geral, equipamentos eletrônicos, restos e embalagens de venenos, dentre tantas outras responsáveis pela contaminação da água e do solo. De igual modo, é fundamental evitar a queima de resíduos, seja ele de qualquer natureza, mas principalmente plásticos e borrachas.

Portanto, devemos sempre estar preocupados e atentos com as estacas ao longo do caminho. Mas não devemos ignorar que o cisco de todo dia, também prejudica a caminhada.


*Emídio Neto é membro fundador do Grupo Ecológico Humanista PAPAMEL, ambientalista, Técnico em Agropecuária, Licenciado em História, ex-membro do Conselho Estadual de Meio Ambiente, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Contas, do Conselho Gestor da ARIE Nascentes do Rio das Contas e do Sub-Comitê da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica – Região Sul.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

I Encontro da Juventude do MST no Assentamento Carlos Mariguella - Ipiaú-Ba.


                                    PROGRAMAÇÃO
24/08 –Sábado
07h – Café da manhã
08h – Credenciamento e Animação

08:30h - EXIBIÇÃO DA MÍSTICA E MESA DE ABERTURA: 

Coordenação: Pascoal Andrade (Coordenador, e Paulo Andrade Magalhães, Advogado, da Associação dos Pequenos Produtores Rurais Carlos Marighella).

10h - ANÁLISE DE CONJUNTURA NACIONAL
Palestrante: NEGO DAMASCENO (Coordendor da Brigada do Vale de Jiquiriça.
Militante histórico do MST-BA. Ex-militante do Grupo Ecológiico PAPAMEL, da Casa da Cultura e da Rádio Livre Comunitária de Ipiaú).

11h – COMO OBTER RENDA COM AGROECOLOGIA, E O ENGAJAMENTO DA JUVENTUDE NA DIVULGAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS
Palestrantes: Valdinete Nascimento dos Santos (Lally). Ambientalista. Ativista cultural. Artesã. Culinarista. idealizadora da Cheiros da Mata. Gestora do Espaço Cultura Janela. Fundadora da Jacaria do Janela. Administradora. Graduanda em Engenharia Agroindustrial e Agricultora Familiar. E
Emídio Souza Barreto Neto: Fundador do Grupo Ecológico Humanista
PAPAMEL (Propágulos Prum Ambiente Ecologicamente Legal). Poeta,
ambientalista, Técnico em Agropecuária. Historiador. Educador Ambiental. Autor do Blog História Ambiental de Ipiaú. Fundador do Espaço Cultural Janela. Criador da Jacaria do Janela. agricultor familiar. Idealizador da UNIPANCS, que visa despertar os agricultores da região para o aproveitamento de plantas nativas e naturalizadas na alimentação humana e outras possibilidades.

12:30h - Almoço

14h - CULTURA AFROINDÍGENA, RACISMO ESTRUTURAL E LUTA SOCIAL
Palestrante: Paulo Andrade Mesquita Magalhães (Cientista Social,
Jornalista e Contramestre de Capoeira Angola. Doutor em Cultura e Sociedade e Mestre em Ciências Sociais. Se dedica a prática, ao ensino e as pesquisas em torno da capoeira, além da militância por politicas públicas para esse patrimônio imaterial. Autor de livros e artigos publicados sobre capoeira. Ex-colaborador do Setor de Comunicação e Cultura do MST-BA). Membro da Associação Brasileira de Capoeira Angola (ABCA). Criador da Escola de Capoeira COLETIVO GINGA DE ANGOLA, e realizador de oficinas de capoeira no Peru, Equador e Tanzânia/Africa).

15h – Intervalo do café

15:30h – OFICINA DE CAPOEIRA ANGOLA: JOGO DE DANÇA E LUTA.
Com o próprio palestrante Paulo A. M. Magalhães (ou “Contramestre Sem Terra”, como foi batizado pela comunidade angoleira).

18:30h – Jantar

19:30h – Noite Cultural e Confraternização: Lançamento do livro: “TUDO O QUE A BOCA COME – CAPOEIRA, MODERNIDADE E COSMOVISÃO AFRO-
INDÍGENA” de Paulo A. M. Magalhães. Roda de Capoeira com alunos da Escola de Capoeira Coletivo Ginga de Angola, de Ilhéus, e exibições musicais dos artistas dos assentamentos presentes.

25/08 – Domingo

08:30h – INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (ISTs) E PRÁTICAS EDUCATIVAS PARA QUALIDADE DE VIDA
Palestrante: Eduarda Santana (Militante do MST, sendo membro do Setor de Saúde. Graduanda em Enfermagem pela UNEX (Itabuna). Integrante do Assentamento Mariana, no baixo-sul)

9:40h – O MST NA LUTA POR JUSTIÇA SOCIAL, SUSTENTABILIDADE E
PROPAGAÇÃO DO CONHECINENTO; E ALIANÇA DOS POVOS PARA O
IMPEDIMENTO DA CATÁSTROFE
Palestrante: Neto Onirê Sankara (Mllitante do MST. Ex-Dirigente Estadual e do Assentamento Carlos Marighella. Agricultor. Integrante do Assentamento Claudemiro Dias Lima, em Jitaúna)

11:30h – DESAFIOS PARA A MILITÂNCIA (informes gerais, encaminhamentos, avaliação do Encontro e proposições para os próximos. Encerramento)
Nego Damasceno e Crislane de Jesus (Coordenadores da Brigada do Vale do Jiquiriça); Michele Santos (Coordenadora da Regional da Juventude); e Vanessa Souza – “Mayquelle” (Coordenadora do Setor de Comunicação e Cultura do Assentamento Carlos Marighella e da Brigada do V. do Jiquiriça)

12h - Almoço.

Será fornecido certificado de participação!

terça-feira, 9 de julho de 2024

RECUSEMO-NOS ASSISTIR PASSIVAMENTE O ASSASSINATO DOS NOSSOS RIOS


Ontem, 8 de julho de 2024, durante uma caminhada para casa, por volta das 13 horas, deparei-me com uma cena chocante. De tão chocante, trouxe-me a lembrança de quando ainda um garoto com 12 ou 13 anos, iniciamos em Ipiaú, um movimento amador de defesa do meio ambiente, tendo como principal motivação a proteção e preservação do Rio Água Branca. Nascia então, o Grupo Ecológico Humanista PAPAMEL - Propágulos Prum Ambiente Ecologicamente Legal.

O PAPAMEL, intransigente na defesa dos nossos rios, evitou durante anos que nossos rios fossem aterrados, tivessem suas margens ocupadas, lixo lançado em suas águas, lutou pelo tratamento dos esgotos da cidade e das empresas. Denunciou empresas e governos por ações e omissões...

Ontem, ao ver as margens do Rio Água Branca sendo aterradas, imediatamente após a ponte que dá acesso ao Parque de Exposições, após o Bairro César Borges, um misto de tristeza e decepção tomou conta de mim. Tristeza por ver que nosso meio ambiente está sendo rápida e violentamente degradado com a conivência de todos, inclusive dos meios de comunicação. Decepcionado porque sabendo das várias pessoas que se apresentam como defensoras do meio ambiente e fazem críticas públicas ao PAPAMEL, a degradação ambiental avança tanto.

Recuso-me assistir passivamente o assassinato dos nossos rios. Nasci aqui, cresci banhando-me nesses rios. Ainda banho-me com minha família e amigos no Rio das Contas. Recuso-me ser mais um que faz de conta que o meio ambiente está sendo respeitado e cuidado em nosso município. Recuso-me a ser mais um que acredita que "só Deus na causa" e que "o mundo está perdido" ou que "não adianta fazer nada", pois "é assim mesmo". "Político é tudo igual". Ficar "perdendo tempo e dando murro em ponta de faca". "O povo merece o que tem".

Convoco-vos a recusarem-se a assistir passivamente o assassinato dos nossos rios. Convoco-vos a denunciar os crimes ambientais em nosso município, sejam praticados por quem quer seja, pessoas, empresas e governos. Pois quem nada faz, igualmente está cometendo crime. O crime de negligência. O crime de omissão.

Enquanto assistimos em diversas cidades, obras e empreendimentos sendo embargadas, interditadas e demolidas por invadirem ou ocuparem Áreas de Preservação Permanente - APP, a exemplo das margens dos rios. Aqui em Ipiaú, vemos isso acontecendo como se fosse normal e legal. Não é. Isso é crime. CRIME sim, com letras maiúsculas, cometido e praticado com a conivência e conveniência de muitos e de alguns.

Convoco-vos, a recusarem-se a legitimar com o silêncio esses crimes.

Ipiaú somos todos nós. O meio ambiente somos todos nós. Se nada fizermos agora, no futuro, o que diremos para nossos filhos ?


Emídio Neto
Membro Fundador do Grupo Ecológico Humanista PAPAMEL
Fundador do Blog História Ambiental de Ipiaú



quarta-feira, 12 de junho de 2024

DAQUILO QUE NÃO DEVEMOS ENSINAR AOS NOSSOS FILHOS

 

DAQUILO QUE NÃO DEVEMOS ENSINAR AOS NOSSOS FILHOS 
Por Emídio Neto
 
Se queremos um mundo melhor, devemos primeiramente aprender a exercitar diariamente uma atitude simples: respeitar.

Sim. Respeitar é mais que uma palavra. É atitude. Afinal, o mundo é diverso, é biodiverso. É plural e desigual. Nem uma mão sua é igual a outra própria, nem de qualquer outra pessoa no mundo. Não à toa, diz-se que "cada cabeça é um mundo".

O Dia do Meio Ambiente foi criado para sensibilizar a população global, sobre a urgência em se estabelecer relações mais respeitosas com o Planeta. Foi criado para despertar a população e em especial os governos, sobre a importância de promover uma educação que ensine a importância de cuidar do meio ambiente, diariamente, com a compreensão de que os Seres Humanos também fazem parte do mesmo meio ambiente. Logo, o respeito deve ser entre todos os seres vivos.

A partir da Eco 92 ou Rio 92, ocorrida no Rio de Janeiro, 20 anos após a primeira Conferência sobre Meio Ambiente realizada em Estocolmo, o tema meio ambiente tornou-se mais comum nas escolas, nos meios de comunicação e até nas rodas de conversa. Em Ipiaú e região, o PAPAMEL se fazia presente com palestras em escolas, associações e empresas.

De 2009 para os anos atuais, com a redução do ritmo de atividades do PAPAMEL, inclusive na organização da sua Semana do Meio Ambiente. Assistimos o aumento da degradação ambiental, da caça e captura de animais, ocupação de áreas de preservação permanente etc...

Isso levou-me a afirmar que cada vez mais as pessoas estão informadas e conscientes sobre as questões ambientais. Porém, cada vez mais insensíveis.

Dia 8/6/2024, estávamos parados esperando o semáforo entre a farmácia 24 horas e o posto cinquentenário, abrir. Quando de repente, uma ambulância com sirene ligada pedindo passagem. Todos se movimentando para dar passagem, para liberar a via que poderá salvar vidas e , a ambulância ficou por alguns minutos alí parada, porque num Fiat preto um cidadão manuseava seu celular como se nada estivesse acontecendo... Só se movimentando quando o sinal abriu e ele seguiu seu caminho.

Se perdemos o respeito pela vida de um Ser Humano, que as vezes depende de minutos para chegar a um hospital. O que dizer de empresas que permitem que seus trabalhadores levantem e carreguem sozinhos, um saco de cimento, as vezes, mais de uma dezena de vezes por dia ?!

O consumidor pode fazer muito pelo Planeta, mas precisa aprender a exercitar o respeito. Evitando compactuar com a exploração do trabalhador, com a exposição do trabalhador a lesões, evitando o consumo de produtos de empresas que desrespeitam o planeta e evitando sacolas plásticas.

Na Semana do Meio Ambiente, para nós, mês do Meio Ambiente, vem de Itagibá o pior exemplo daquilo que não devemos ensinar aos nossos filhos. Cortar uma árvore que serve de aninhamento para aves e pássaros, cheia de ninhos com ovos e filhotes.

Um crime ambiental terrível que ilustra a insensibilidade para com a natureza e transmite uma mensagem de intencional afronta ao significado da Semana do Meio Ambiente e também ao simbolismo de paz, esperança e prosperidade representado pelas garças.

"Na espiritualidade em geral, a garça é vista como um símbolo de graça, sabedoria, paciência, intuição e equilíbrio. Ela representa a conexão com o divino e a busca pela evolução espiritual. A garça também pode ser interpretada como um lembrete para viver em harmonia com a natureza e buscar a paz interior."


A população deve exigir com veemência a responsabilização por esse crime e conclamar às Prefeituras que cumpram seu dever de promover a educação ambiental, continua e intermitente da população.

Sem o cuidado com o Meio Ambiente, não existe desenvolvimento, não existe turismo, não existe saúde, não existe desenvolvimento sustentável.

De nada adianta dizer que ama os animais e comprar animais enjaulados, frutos de um processo perverso de reprodução. Dizer que ama o meio ambiente e não se preocupar em reduzir a geração de lixo e menos ainda com o destino do lixo gerado.

O exemplo que você dá aos seus filhos e filhas, netos e netas, sobrinhos e sobrinhas, vizinhos e vizinhas, faz muita diferença. Bons exemplos evitam que os desrespeitos sejam naturalizados e que a violência, seja ela qualquer que seja, se torne comum.

Como dizemos no movimento ambientalista, devemos "pensar global e agir no local". Por tanto, seja você o exemplo que o Planeta precisa.

Emídio Neto 
Membro fundador do Grupo Ecológico Humanista PAPAMEL
Fotos: Jailton Farias - Voluntário do PAPAMEL

quinta-feira, 13 de abril de 2023

 EDIÇÃO 1

LIVRO ESPAÇOS CULTURAIS DE IPIAÚ: ONTEM E HOJE

A primeira edição do Livro Espaços Culturais de Ipiaú: Ontem e Hoje, já está disponível em formato digital. Acesse aqui: https://drive.google.com/file/d/1VV0S9kHCfys4SHEXakeyNcLL93Xp8BJs/view?usp=sharing

O livro é resultado da pesquisa realizada com o apoio do Edital Fauzi Maron no âmbito da Lei Aldir Blanc, sob a tutela da Prefeitura de Ipiaú no município. Reúne textos produzidos a partir das entrevistas, artigos produzidos por autores diversos do município ou não e textos compilados para esclarecer sobre as diferentes atividades culturais listadas na Lei Aldir Blanc.

Por se tratar de uma pesquisa atemporal, a primeira edição poderá sofrer atualizações, até sua edição impressa ser lançada. 

 

 O Mapa dos Espaços Culturais de Ipiaú, já está disponível em sua versão digital.

Mesmo que em constante atualização, você já pode acessar.

Click no link para acessar:

bit.ly/EspacosCulturaisdeipiau