segunda-feira, 19 de setembro de 2022

 


Povos e Comunidades Tradicionais

O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) preside desde 2007 a Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Tradicionais (CNPCT), criada por meio do Decreto de 27 de dezembro de 2004 e reformulada pelo Decreto de 13 de julho de 2006. Fruto dos trabalhos da CNPCT, foi instituída, por meio do Decreto 6.040 de 7 de fevereiro de 2017, a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT). A PNPCT foi criada em um contexto de busca de reconhecimento e preservação de outras formas de organização social por parte do Estado.

De acordo com essa Política, Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) são definidos como: “grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição”.

Entre os PCTs do Brasil, estão os povos indígenas, os quilombolas, as comunidades tradicionais de matriz africana ou de terreiro, os extrativistas, os ribeirinhos, os caboclos, os pescadores artesanais, os pomeranos, entre outros.

Fonte: http://mds.gov.br/assuntos/seguranca-alimentar/direito-a-alimentacao/povos-e-comunidades-tradicionais


Associação Comunitária do Culto Afrobrasileira Ilê Axé Aidan Sileua

 

Nome do Espaço Cultural: Associação Comunitária do Culto Afrobrasileira Ilê Axé Aidan Sileua

Onde Funciona: Rua Bom Jardim, 10 – Bairro Euclides Neto – Ipiaú – Ba.

Pontos de Referência: Sem Respostas.

Em que Ano nasceu o Espaço Cultural, atualmente dirigido por Você?

08 de Abril de 1983

Qual a Motivação para o Surgimento/Criação do Espaço Cultural atualmente dirigido por Você?

Problema espiritual que se estendeu até os 17 anos de idade. A partir de uma feitura de Santo resolveu a situação até que posteriormente fez o Santo e se livrou de todo problema.

O Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você, tem Sede Própria ? Sim.

Caso Sim. Desde quando ? Sem Respostas.

Como foi Obtida ? Trabalho, muito suor derramado, recursos próprios e contribuição de clientes e Filhos de Santo.

Fale sobre o Espaço Físico ( divisões, ocupações, etc. ), do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você. Sem Respostas.

Quem Foram os Primeiros Membros (Criadores/Fundadores) do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você? O próprio Adnaldo Pereira dos Santos, conhecido como Pai Nado.

Quem foram os Primeiros Dirigentes do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você?

O próprio Adnaldo Pereira dos Santos, conhecido como Pai Nado.

Como é a Estrutura Administrativa do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você?

É formada por um Grupo de 25 Pessoas, onde cada uma tem uma função e responsabilidade.

Quais as Atividades Culturais Promovidas, Acolhidas, Realizadas, Apoiadas, Mantidas, Organizadas pelo Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você?

Aulas de Costura, Artesanato, Culinária, Instrumentos Percussivos, Atendimento a Crianças e Idosos.

Quais as Ações de Defesa, Proteção, Preservação, Tombamento ou Registro desenvolvida pelo Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você? Sem Respostas.

Como o Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você se Mantém, se Sustenta ?

Através do trabalho espiritual, apoio da Prefeitura Municipal de Ipiaú com Cestas Básicas e doações dos Filhos de Santo.

Quais as Dificuldades e Desafios enfrentados pelo Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você?

Sem Respostas.

Como é a Relação do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você, com a Prefeitura Municipal de Ipiaú ? Boa. Recebemos muito apoio da atual gestão.

O Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você, recebe regularmente, já recebeu ou nunca recebeu apoio, auxílio, patrocínio, doação material, financeira ou técnica da Prefeitura Municipal de Ipiaú?

Sem Respostas.

O Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você recebe regularmente, eventualmente ou nunca recebeu a Visita da Prefeitura Municipal de Ipiaú? Recebe regularmente.

Qual a Perspectiva do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você, para os próximos 5 a 20 Anos ? Cada dia ampliar os serviços para a comunidade.

Quais os Espaços Culturais de Ipiaú que Você conhece ? Academia.


 
O Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você, Possui ou Mantém Parceria com Outros Espaços Culturais? Quais e em quais Ações ou Projetos? Não.

O que você faria para criar ou fortalecer uma Rede de Espaços Culturais de Ipiaú ?

Fortalecer os ensinos, dar aulas de reforço, creche para crianças, espaço para idosos e dependentes.

Qual a sua lembrança mais marcante do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você ?

Quando uma Senhora trouxe o Neto dela para fazer uma Obrigação e ao terminar o Trabalho da mesma, o Neto disse que não voltaria pra casa. Ela também preferiu ficar morando junto com o Neto. Passando a morar em nosso Terreiro por 30 anos, onde ela faleceu e o Neto ficou sendo criado por mim.

A cultura aqui é muito pobre. Terreiro de Candomblé não é só bater tambor. Precisa de mais apoio para a área social, inclusive de Vereadores. Seria feita uma entrega de Título para o Pai Naldo, o que foi negado. Muitos Vereadores disseram “Pra que macumbeiro quer título ?!”



Informações fornecidas por:

Nome Completo: Adnaldo Pereira dos Santos

Endereço: Rua Bom Jardim, 10 – Bairro Euclides Neto – Ipiaú – Ba.

Endereço Eletrônico: naldopereira_2008@hotmail.com

Telefone de Contato: (73) 3531-2732

quarta-feira, 14 de setembro de 2022


 

Espaços Culturais: Mais que um Conceito

por Karen Valentim


Espaços Culturais são verdadeiros pontos de ebulição cultural, capazes de propiciar o acesso direto à cultura para a população de uma região. Na busca de potencializar a produção cultural de cada região que artistas, coletivos, grupos e instituições se apoiam de forma colaborativa para propor atividades como oficinas, sarau, exposições de arte e festas (lazer) para a comunidade com o foco de atender a todos os públicos. É nesses espaços que todas(os) fazedoras(es) culturais se encontram junto a(s) sua(s) comunidade(s) para realizar atividades que proporcionem a valorização e a difusão das manifestações culturais de cada território.

É importante compreender que a existência desses espaços supre uma demanda social que transita entre diversos campos da vida de um indivíduo e a sociedade na qual o mesmo está inserido. É também uma das vias para expandir o acesso às práticas artísticas capazes de transformar a vida e a percepção de mundo de muitas pessoas.

A organização desses espaços vem colaborando com a instituição de algumas leis de cultura no Brasil, como por exemplo, os Pontos de Cultura - uma rede de iniciativas e/ou projetos de base cultural de transformação dos territórios e as comunidades periféricas e tradicionais. Essas ações culturais colaboram para a redução das violências que atingem a população mais vulnerável e desperta na sociedade o interesse em acessar e consumir a arte e cultura das periferias, reconhecendo como berço da tecnologia cultural. Muitos projetos iniciam com a necessidade de implementar ações comunitárias da cultura que estão presentes no cotidiano, mas que muitas vezes estão sendo desvalorizadas enquanto ferramentas de transformação sociocultural. É através dos espaços culturais que muitos artistas têm suporte para iniciar suas carreiras e tornar sustentáveis seus sonhos de viver da arte.

Nesse momento, é importante que sigam sendo implementadas leis culturais que possibilitem maiores investimentos para espaços culturais, de coletivos, grupos e instituições, que continuam promovendo atividades em lugares onde as políticas públicas ainda não têm acesso efetivo para a população. Sendo então reconhecidos e difundidos projetos com metodologias para transformar a realidade de crianças e jovens, para que se apropriem dos espaços como agentes multiplicadores de conhecimento, onde todos são responsáveis pelo processo de mudança ativa junto à comunidade.

Espaços Culturais vibram a história, personagens e eventos que moldam a história e cultura de uma população inteira, carregando consigo a verdadeira identidade de um povo através dos tempos. É nessa vivência/experiência que nos descobrimos e nos enxergamos, entre e através das tradições, das grandes aventuras e dos sonhos de todos nós e daqueles que transbordaram de si a cultura viva e poderosa.



Karen Valentim é Artista, fazedora cultural, mãe da Lua, atua desde 2014 desenvolvendo projetos junto às comunidades periféricas e tradicionais, no Espírito Santo. Em 2017 inicia uma pesquisa sobre os pigmentos naturais voltados para produção de mural. Tem experiência em gestão cultural no terceiro setor e no setor público. É matrigestora na residência artística Latinta Mural, com ações na América Latina e África, e no cineclube El Caracol.

Este texto foi escrito para o Projeto Espaços Culturais de Ipiaú: Ontem e Hoje.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022


 

Patrimônio Cultural


A Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 216, ampliou o conceito de patrimônio estabelecido pelo Decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, substituindo a nominação Patrimônio Histórico e Artístico, por Patrimônio Cultural Brasileiro. Essa alteração incorporou o conceito de referência cultural e a definição dos bens passíveis de reconhecimento, sobretudo os de caráter imaterial. A Constituição estabelece ainda a parceria entre o poder público e as comunidades para a promoção e proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro, no entanto mantém a gestão do patrimônio e da documentação relativa aos bens sob responsabilidade da administração pública.

Enquanto o Decreto de 1937 estabelece como patrimônio “o conjunto de bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”, o Artigo 216 da Constituição conceitua patrimônio cultural como sendo os bens “de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

Nessa redefinição promovida pela Constituição, estão as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

O Iphan zela pelo cumprimento dos marcos legais, efetivando a gestão do Patrimônio Cultural Brasileiro e dos bens reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio da Humanidade. Pioneiro na preservação do patrimônio na América Latina, o Instituto possui um vasto conhecimento acumulado ao longo de décadas e tornou-se referência para instituições assemelhadas de países de passado colonial, mantendo ativa cooperação internacional.

Nesse contexto, o Iphan constrói em parceria com os governos estaduais o Sistema Nacional do Patrimônio Cultural, com uma proposta de avanço disseminada de maneira contínua para os estados e municípios em três eixos: coordenação (definição de instância(s) coordenadora(s) para garantir ações articuladas e mais efetivas); regulação (conceituações comuns, princípios e regras gerais de ação); e fomento (incentivos direcionados principalmente para o fortalecimento institucional, estruturação de sistema de informação de âmbito nacional, fortalecer ações coordenadas em projetos específicos).

Trabalhando com esses conceitos e visando facilitar o acesso ao conhecimento dos bens nacionais, a gestão do patrimônio é efetivada segundo as características de cada grupo: Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial, Patrimônio Arqueológico e Patrimônio Mundial.

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/218

terça-feira, 30 de agosto de 2022


Associação de Capoeira Arte Modelo da Raíz Africana


Nome do Espaço Cultural: Associação de Capoeira Arte Modelo da Raíz Africana

Onde Funciona (Endereço): Terminal Rodoviário de Ipiaú – Ipiaú – Ba.

Pontos de Referência: Rodoviária.

Em que Ano nasceu o Espaço Cultural, atualmente dirigido por Você?

08 de Julho de 2008.

Qual a Motivação para o Surgimento/Criação do Espaço Cultural atualmente dirigido por Você?

Treinava com outro Professor e sentiu necessidade de criar seu próprio grupo, para ter liberdade de atuação. Já era Professor quando criou o grupo.

O Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você, tem Sede Própria ? Não.

Fale sobre o Espaço Físico ( divisões, ocupações, etc. ), do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você. Usamos o espaço da Rodoviária, que tem 50% livre com todo aparato.

Quem Foram os Primeiros Membros (Criadores/Fundadores) do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você?

O próprio Mestre Buda, o Mestre Gabriel, Reinaldo e Eu, Carla Cristina.

Quem foram os Primeiros Dirigentes do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você?

O Mestre Buda, Adriano, Reinaldo e Eu, Carla Cristina.

Como é a Estrutura Administrativa do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você?

É formada por um Grupo de 25 Pessoas, onde cada uma tem uma função e responsabilidade. Presidente: Beatriz; Vice: Rafael; Secretário: André; Diretora de Eventos: Carla Cristina; Fiscais: Uali, Davi e Edmilson.

Quais as Atividades Culturais Promovidas, Acolhidas, Realizadas, Apoiadas, Mantidas, Organizadas pelo Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você?

Treinos, Apresentações Culturais de Maculelê, Samba de Roda, Dança Afro, Dança da Colheita, Percussão e Canto.

Quais as Ações de Defesa, Proteção, Preservação, Tombamento ou Registro desenvolvida pelo Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você?

Sem Respostas. Aulas de Cultura Afro-Brasileira, ensinamento de onde surgiu a dança e as histórias envolvidas na capoeira dos Mestres Bimba e Pastinha.

Como o Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você se Mantém, se Sustenta ?

Através de doações.

Quais as Dificuldades e Desafios enfrentados pelo Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você?

Falta de Sede Própria. De modo geral, falta de condições financeiras.

Como é a Relação do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você, com a Prefeitura Municipal de Ipiaú ? A PMI contribui com o que está ao alcance.

O Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você, recebe regularmente, já recebeu ou nunca recebeu apoio, auxílio, patrocínio, doação material, financeira ou técnica da Prefeitura Municipal de Ipiaú?

Sim. Já Recebemos.

O Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você recebe regularmente, eventualmente ou nunca recebeu a Visita da Prefeitura Municipal de Ipiaú? Já recebeu.

Qual a Perspectiva do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você, para os próximos 5 a 20 Anos ?

Cada dia ampliar os serviços para a comunidade. Manter o espaço aberto, ter sede própria e aumentar o número de alunos, com pretensão de parceria com as escolas públicas e privadas. Gostaríamos também que fosse divulgada em todas as escolas públicas e privadas e que também fosse divulgada em todos os setores da sociedade a diferença entre capoeira e religião.

Quais os Espaços Culturais de Ipiaú que Você conhece ?

Guerreiros de São Jorge, Grupo Acróbatas, Grupo Nova Geração e Cantiga de Reis.

O Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você, Possui ou Mantém Parceria com Outros Espaços Culturais? Quais e em quais Ações ou Projetos? Não.

O que você faria para criar ou fortalecer uma Rede de Espaços Culturais de Ipiaú ?

Fortalecer o ensino, dar aulas de reforço, creche para crianças, espaço para idosos e dependentes. Convocaria todos os dirigentes para reuniões e conhecer melhor todos os anseios de cada espaço e unidos concretizá-los.

Qual a sua lembrança mais marcante do Espaço Cultural atualmente Dirigido por Você ?

Formatura do Mestre Buda, ocorrida na Câmara Municipal de Ipiaú, no dia 03 de Setembro de 2016.









 

Informações e Fotos Fornecidas por:

Nome Completo: Carla Cristina

Endereço: Rua Esterzinha, – Bairro Centro – Ipiaú – Ba.

Endereço Eletrônico: cristinacarla457@gmail.com

Telefone de Contato: (73) 99146-6339

 

sábado, 30 de julho de 2022

 

LULA MARTINS FALA DA SUA EXPERIÊNCIA COM O CINE ÉDEN



Giuseppe Miraglia foi o fundador do Cine Teatro Éden, cuja fachada de estilo eclético contendo linhas arquitetônicas do neoclássico a da art nuveau tardia no Brasil. Assemelha-se ao do filme "Cinema Paradiso". Este renomado e emblemático filme que narra a história da decadência das salas de cinemas, que, com o advento da televisão transformou-se em depósitos e lojas comerciais. É certo que o nome CINE TEATRO EDEN tem origem no lendário Teatro Éden em Portugal, um esplendoroso teatro que veio tornar-se, no Cine Teatro Éden.


Os italianos e os franceses foram os principais construtores das salas de cinema no Brasil. Os cineteatros eram adaptações dos teatros romanos. Quando José Mota Fernandes e o seu irmão João Mota adquiriram e reformaram o Cine Éden, equipando-o com dois modernos projetores Philips modelo SP56, projeção em Cinemascope de lentes anamórficas e som sistema Todal, o que existia de mais moderno na época. Colei em Marini o técnico da montagem como seu auxiliar. O velho Marini era um sábio visionário que contava muitas histórias sobre discos voadores e da civilização de Marte. Apaixonou por cocadas que um garoto lhe vendia todas as tardes e isto lhe foi fatal! conseguiu uma diarreia que o derrubou, ficando em estado de cama por uma semana no Hotel Glória. Dei-lhe assistência e dias depois, comuniquei que havia terminado a montagem do primeiro projetor e começado a do segundo.


Marini me deu uma bronca, ficou aflito, e eu disse que havia feito as instalações elétricas dos comandos da partida, e montado, a lanterna de arco-voltaico seguindo os manuais. Após uma rigorosa inspeção, convidou-me para fazer um estágio na fábrica da Imbelsa, em São Paulo, e que eu ficaria dando assistência técnica a muitos cinemas dos clientes da empresa em toda América Latina. Meu pai Hermes Martins não quis acordo, Marine então me indicou como operador de projeção, função que assumi por dois anos.


O Cine Éden foi a minha escola de cinema. Ali eu tive a oportunidade de assistir incontáveis filmes de todos os gêneros e qualidades. O saudoso amigo João Mota era o gerente proprietário, Dren pintava os cartazes, trabalhava ali também Pedro Hage, e Jovelito era o meu assistente. Anos depois da falência e encerramento do cinema, de passagem por Ipiaú, uma turma de cinéfilos e interessados pela cultura local, me procurou pedindo para falar com Hildebrando Rezende então prefeito da cidade, da importância do tombamento do Cine Éden. Hildebrando me disse que não poderia atender ao meu pedido, pois estava comprometido com a exigência da Secretaria de Cultura do Estado, cujo secretário era o poeta Capinan, na compra de um circo para eventos mambembes de conscientização política de esquerda. O agente do negócio que, quando me viu chegar à prefeitura para falar com Hildebrando, em minha frente, cheirou uma longa carreira de cocaína e me agrediu com palavras violentas. Eu contra argumentei que não o conhecia nem estava ali para falar com ele e sim com o prefeito. Disse para Hildebrando que o cinema fazia parte da tradição da cidade, e dos problemas que ele poderia ter, já que um circo requeria profissionais qualificados, tinha uma manutenção cara e que em menos de um ano o circo não existiria. Que tal?... Não durou seis meses. Dizem que a lona apodreceu e o palhaço levou o que restou do circo. O dinheiro que foi pro ralo da maracutaia esquerdista daria, à época, para tombar o Cine Teatro Éden.


Antônio Luiz Martins (AL Martins) É artista multimídia, com quatro décadas de atividades culturais e artísticas no Brasil e exterior, desenvolvendo muitos trabalhos de design gráficos, para renomados artistas, filmes premiados, documentários, músicas de grande sucesso nacional e exposições de artes plásticas.

 RIO NOVO TENIS CLUBE ( MINI DOCUMENTÁRIO)

O Projeto Espaços Culturais de Ipiaú: Ontem e Hoje, mantendo o seu objetivo de apresentar histórias e informações sobre os espaços culturais de Ipiaú que temos ou guardamos na memória. Apresenta um documentário sobre o Rio Novo Tênis Clube.

Pedimos sua colaboração para continuarmos trazendo a história de espaços culturais como este. Doe fotos, jornais, grave seu depoimento e nos envie. 

Vamos valorizar a história dos nossos espaços culturais.

 



sexta-feira, 30 de julho de 2021

 

Espaços Culturais de Ipiaú

Ontem e Hoje


APRESENTAÇÃO


O presente trabalho é fruto do Projeto Espaços Culturais de Ipiaú: Ontem e Hoje, aprovado no Edital Fauzi Maron, na categoria Pesquisa, Publicação e Memória, no âmbito da Lei Aldir Blanc sob a gestão da Prefeitura Municipal de Ipiaú.

A Pesquisa sobre os Espaços Culturais que existiram no passado e os que existem, com vistas a dar visibilidade local e mundial para esses espaços através da internet e publicação impressa e virtual e também do mapa dos espaços culturais de Ipiaú. Contando suas histórias, dificuldades, como se mantém, porque foram extintos e quais são suas carências e expectativas, contribui também para o processo de organização de roteiros e atrativos turísticos de Ipiaú.

Ipiaú para aqueles que nasceram em 1965, ao completarem seus 15 anos de idade, se deram conta de que viviam na “Cidade do Tinha”. Tinha Filarmônica, tinha Cinema, tinha Horto Florestal, Tinha Clube Independente de Esporte e Cultura… tinha. Mas também viram nascer outros importantes espaços que juntamente com alguns espaços naturais foram igualmente desaparecendo com o passar dos anos.

Alguns espaços chegaram a beira da extinção e se reiventaram, como a Casa da Cultura e o Espaço Cultural Janela, outros sobrevivem graças a dedicação e resistência de alguns como o Grupo Ecológico Humanista PAPAMEL. Mas muitos, existindo, resistindo ou tendo sucumbido ao tempo e por motivos desconhecidos, continuam pouco conhecidos pela população.

Qual a história desses Espaços Culturais ? Para além das leis, qual a percepção da população sobre o que é e para que serve um Espaço Cultural ? Como funcionam, sobrevivem, quais suas dificuldades, conquistas, realizações, carências, como se mantém, quem os faz existir e resistir ? Como chegar até eles ? Onde estão localizados ? Quais serviços oferecem para o município?

O presente trabalho apresenta essas respostas através de entrevistas, coleta de depoimentos, pesquisa documental, catalogação de acervo fotográfico, pesquisa em jornais e impressos. Para que a população possa ser sensibilizada sobre o patrimônio cultural que os espaços culturais representam. De modo que possa daí despertar o sentimento de pertença e exigir a elaboração de políticas de apoio e manutenção dos espaços culturais, de acordo com a realidade de cada um.

Os Espaços Culturais contribuem para formar novos olhares sobre o presente e desenvolver novas perspectivas de futuro. A criticidade e a superação de dificuldades individuais e coletivas também acontecem nesses espaços. Os benefícios para a população em geral são vários, mas muitas vezes invisíveis ou incompreensíveis. Daí a necessidade de revelá-los, apresentá-los, torná-los conhecidos além do como são vistos.

Os áudios, vídeos e imagens sobre os espaços culturais, além de outros produtos do Projeto Espaços Culturais de Ipiaú: Ontem e Hoje, poderão ser acessados aqui no blog História Ambiental de Ipiaú e no Instagram do Projeto: espacoculturaisdeipiau. Venha realizar esse passeio pela memória com a gente. Certamente você se sentirá estimulado a contar suas experiências.

 Texto: Emídio Souza Barreto Neto